A Dr.ª Jiwon Oh, do St. Michael's Hospital em Toronto (Canadá), fez uma breve introdução em que começou por recordar que, além das evidências clínicas, a EM é uma doença heterogénea que se caracteriza por processos fisiopatológicos subclínicos de inflamação e neurodegeneração. O diagnóstico é atualmente mais precoce devido ao avanço nos critérios de diagnóstico utilizados – em particular a última revisão dos critérios de McDonald de 2017 – que recomendam também uma intervenção terapêutica precoce.
Para tal, existem hoje muitas opções farmacológicas disponíveis para a esclerose múltipla surto-remissão (EMSR). Além das novas terapêuticas emergentes, fármacos mais antigos como o interferão-β1a, tratamento de referência há mais de 20 anos, "continuam a ter um papel importante", defende a neurologista.
Mas não existe "uma terapia única que funcione para todos os doentes". Perante a "complexidade terapêutica crescente", em que bases deve assentar a decisão clínica para a introdução de uma segunda linha de tratamento? "As guidelines oficiais não fornecem recomendações específicas de sequenciação terapêutica", mas alguns fatores podem levar a equacionar a substituição de uma terapêutica instituída, particularmente a presença de doença ativa ou questões de segurança, responde a Dr.ª Eva Kubala Havrdová, da Charles University de Praga (República Checa).
No sentido de prever a resposta ao tratamento, "existem alguns índices que podem ajudar o médico a tomar uma decisão" como o índice Rio modificado, o índice MAGNIMS e o NEDA (no evidence of disease activity). Outros potenciais marcadores promissores de atividade da doença e de resposta ao tratamento, atualmente alvo de investigação intensa, são os níveis séricos de neurofilamentos de cadeia leve e a evidência de atrofia cerebral.
Além da resposta, muitos outros fatores devem ser considerados na escolha de uma linha subsequente, nomeadamente a conveniência do tratamento, a adesão e a tolerabilidade bem como a segurança para o planeamento de uma eventual gravidez futura e o risco de infeção (devido à imunossupressão). Aqui reside a grande vantagem das novas terapias de reconstituição imunológica (TRI), como explicou em seguida a Dr.ª Jiwon Oh. As TRI, "cuja eficácia clínica se estende muito para além do período de administração", induzem a remissão sem necessidade de administração contínua sendo por isso "bastante atrativas para os doentes". Nomeadamente a cladribina comprimidos, cuja administração requer "no máximo, 20 comprimidos ao longo de 2 anos", sem necessidade de ciclos adicionais nos anos 3 e 4, revela-se particularmente conveniente.
A última parte do simpósio foi dedicada a dados da vida real. O Dr. Cristoph Kleinschnitz começou por revelar dados de 48 doentes tratados com cladribina comprimidos no Hospital Universitário de Essen (Alemanha), desde a aprovação do fármaco na UE (agosto de 2017) até agora, concluindo que a experiência da coorte de Essen "reflete os resultados dos ensaios clínicos" quanto aos efeitos imunológicos, de segurança e de eficácia. Também a Dr.ª Suzanne Hodgkinson, da Universidade de New South Wales em Sydney (Austrália) partilhou um pouco da sua experiência e alguns casos clínicos. A cladribina comprimidos foi aprovada pela primeira vez na Austrália em 2010 para o tratamento da EMSR e novamente reintroduzida em dezembro de 2017, e o seu centro conta com mais de 100 doentes tratados até à data.

































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