Em final de mandato como presidente do ECTRIMS, o Prof. Dr. David Miller abriu a sessão de boas-vindas, mostrando-se satisfeito pela importância crescente deste Congresso, que em 2018 conta com mais de 9400 inscritos, quando as primeiras edições em que participou na década de 80 reuniam escassas centenas de profissionais.
Passou em seguida a palavra ao Prof. Dr. Reinhard Hohlfeld, presidente da comissão organizadora local, que apresentou alguns números do presente evento: um total de 1975 abstracts submetidos, 156 oradores convidados, 114 comunicações orais e 1014 pósteres. Fazendo referência aos diversos temas que serão debatidos nos próximos três dias, mencionou em particular aquele que é para si "um tópico fascinante": big data e medicina digital. Com o progresso vertiginoso da inteligência artificial e dos sistemas digitais, os "grandes dados" estão hoje na essência das designadas abordagens "ómicas" em biomedicina (genómica, epigenómica, transcriptómica, proteómica, metabolómica).
O Hall A do centro de congressos foi então invadido por um momento de magia, em homenagem aos muitos profissionais das tecnologias da informação que se dedicam à análise desses "grandes dados" fazendo avançar as várias vertentes da ciência na era digital. "Esclerose Múltipla na era digital" foi precisamente o tema da apresentação seguinte, a cargo do Prof. Doutor Alastair Compston, professor emérito de Neurologia na Universidade de Cambridge no Reino Unido.
Começando por estabelecer uma breve distinção entre "métodos digitais" (sistemas que detetam padrões em grandes conjuntos de dados) e "inteligência artificial" (sistemas que "aprendem" informações do mundo real para gerar os seus próprios dados), o Prof. Doutor Compston considera que estes dois processos vieram revolucionar o caminho da medicina analítica e personalizada.
O tratamento da esclerose múltipla atravessou várias fases no século XX, evoluindo desde a mera redução do número de surtos à redução sustentada da incapacidade associada à doença, o que constitui incontestavelmente "a grande história de sucesso das últimas duas décadas". Na era digital, o professor considera que a tecnologia é "libertadora", sobretudo quando os doentes perdem a capacidade de utilizar utensílios ou equipamentos, mas também para o desenvolvimento de estratégias que ajudem as pessoas com esclerose múltipla a lidar com a sua doença. Mas para si, o grande desafio da era digital é fazer uso de um "raciocínio determinista", aplicando o conhecimento existente sobre o reconhecimento dos mecanismos reguladores e respostas celulares subjacentes à esclerose múltipla para uma abordagem que privilegie a neuroproteção e a remissão sustentada desta condição.
A evolução da bioengenharia e da biomedicina a par de tecnologias emergentes que poderão ter impacto futuro no campo da esclerose múltipla (incluindo proteómica, imunofenotipagem, imagiologia molecular) são pois o ponto de partida do congresso que começou esta quarta-feira e que inclui uma diversidade de fóruns educacionais e sessões plenárias onde serão debatidos os temas mais "quentes" da atualidade, bem como dezenas de comunicações livres e sessões de apresentação de pósteres. Bem-vindos ao ECTRIMS 2018!

































Todos os direitos reservados